segunda-feira, 5 de março de 2012

Finaaaal do primeiro tempo!

Tirar manchas de roupa também é uma luta!!


Hoje cheguei a 7ª e última sessão de quimioterapia e estou muiiito feliz, pq deu tudo certo. Mais feliz ainda porque essa experiência maravilhosa foi comigo. Como jornalista, essa tem sido uma grande pesquisa de campo. Mas, de verdade, agradeço diariamente por ter sido comigo e não com minha filha ou minha mãe... ou qualquer mulher muito próxima de mim.
Dentro de uns dias, começo a próxima fase, a da radioterapia. Serão cinco semanas, com tratamento diário e já sei que vou tirar de letra. Não que seja simples, mas creio que será um aprendizado e terei facilidade. Boto fé nisso porque sou resistente à dor, resiliente, tenho facilidade para esquecer e desassimilar o que me faz sofrer. 
Nessa primeira fase, apesar dos momentos em que me senti um pouco pra baixo, solitária, com um desejo imenso de simplesmente ter alguém do meu lado só pra segurar minha mão e mais nada, não me faltaram bons amigos presentes que, contabilizando, não preenchem os 10 dedos das minhas mãos. Mas também tive bons amigos que, mesmo distantes, ligavam constantemente, enviavam mensagens, me deram carinho à sua maneira. Me dispensaram atenção e me deram importância.
Minha família também se perdeu comigo nessas descobertas e talvez algumas pessoas tenham encontrado algo de bom... é o que se deseja a todo mundo. Minha mãe, meu pai, meu ex-marido e minha filha se doaram como puderam, foram muito carinhosos, solícitos e presentes. Fizeram muito bem pra mim, mesmo quando não compreendiam o que precisava ser feito. 
Mas a próxima fase será mais fácil. E sabem por quê? Porque tenho uma forma de pensar sobre a necessidade de fazermos por nós mesmos, embora nem sempre eu aplique, mas posso dizer que me empenhei 90% nisso. Sempre procurei manter-me firme na ideia de que todas as coisas são um presente na vida. A gente vive demais o passado, faz muitos planos para o futuro e renega o presente. É preciso pensar mais no hoje, no que a gente precisa hoje. 
Outra atitude que fez diferença foi meu comportamento: não é preciso ter uma cara de doente e acabada para se estar debilitada na saúde. Muita gente me cobrou isso e para elas eu apresento meu dedo do meio. Muita gente adorou minha atitude positiva e o esforço para me manter sempre bonita e alegre, porque faz parte da minha personalidade. Pra elas, meu dedo positivo, hang loose, rock'n'roll. 
Nunca me importei em ser exemplo pra nada, nem ninguém, porque tenho comigo que o grande barato da vida é a diferença entre as pessoas. Mas desta vez espero, francamente, que meu bom humor e as boas consequências que advêm dele, estejam servindo como exemplo, força, atitude, que ao menos tenham feito alguém pensar sobre a necessidade de ter fé na vida e em si, em Deus (seja como ele se manisfeste), na capacidade de dar solução aos problemas, de viver de uma maneira mais simples, afinal não precisamos de muita coisa. Mas é fundamental termos saúde!
Outro dia eu estava me sentindo muito indisposta e observei um grupo de pessoas dançando, pulando, bebendo, brincando e se divertindo. Pensei: "puxa, eu conseguia fazer tudo isso e agora estou só olhando. Tudo bem, esse é o meu momento, essa sou eu, maravilhosa como posso e alguém que consegue ser feliz vendo gente de bem com a vida perto de mim." 
Mas a conclusão é que quando a gente está bem de saúde, nem sempre se importa em cuidar dela. E não falo apenas de ter um corpo sarado, que para muita gente é só isso que é saúde. São as boas companhias, os momentos de felicidade, um trabalho que lhe dê prazer, a comida feita com amor e dividida com quem a gente gosta, um passeio num parque, a dedicação a um hobby, desenvolver uma habilidade, viajar, conhecer pessoas e lugares novos, ter coragem de mudar e voltar atrás caso não seja aquilo que se planejava, optar por alimentos que preencham sua alma e saciem sua necessidade, cuidar do corpo como sua primeira residência, cuidar da alma como sua residência eterna, cuidar dos seus desejos e do coração como a morada da sua alegria, cuidar dos seus como o abrigo para seu coração, chorar e refletir quando a tristeza, o desânimo, a solidão, a inveja, a raiva chegarem, afinal somos humanos e sentir essas coisas não é mal, mas importante para nos colocar em reflexão e nos propor o conhecimento de nós mesmos. Mal é o desequilíbrio em quaisquer níveis: não existe gente somente feliz, somente boazinha, somente educada. Essas são para se desconfiar. Perfeitos são os que sentem, amam e odeiam, mas buscam em todas as suas capacidades, a evolução, a solução para seus perrengues, mesmo que inconscientes disso.
Tudo nessa vida tem como ser sanado, absolutamente tudo é possível de se resolver. Eu não duvido disso, porque minha vida tem sido uma sucessão de felizes milagres diários. Fé não é acreditar, mas nunca duvidar. Somos seres divinos, capazes de mudarmos muita coisa no campo universal, no âmbito de nossa convivência, mas com grande dificuldade de transformarmo-nos às vezes. E é essa a tarefa mais difícil mesmo.Talvez seja pra isso que estamos aqui: não pra mudar o mundo, mas pra nos descobrirmos seres divinos. 
Eu tenho tentado cada vez mais dar ouvidos a minha intuição e perceber sua proposta na área da minha razão, mesmo quando ela se manifesta no barulho do meu caos interno. Ouço seu silêncio, sua sutileza, analiso seus valores. O resultado tem sido produtivo. Está valendo a pena viver minhas experiências. Agradeço a Deus e ao universo, de verdade, por tudo o que recebi até agora. Que eu tenha cada vez mais forças e em cada situação, eu possa renovar minha fé.

É isso. 

3 comentários:

Fábio Gibelli disse...

Que maravilha!!! Que delícia!!!

Esse texto é melhor que mil doses de vodka antes da balada, melhor que tequila, limão e sal! É o "esquenta" perfeito para sair lá fora e curtir a vida! Parabéns Dani, sempre dando show!!! Te aplaudo com orgulho... e to alí na primeira fileira do seu espetáculo te fazendo hang loose!!! \,,/

Que venha o momento do bis agora! E depois, vou no seu camarim pegar seu autógrafo!
Love you!!! S2

Dani Ricci disse...

Meu amigo!!! Termino essa luta quando vc estiver voltando. Traz a vodka, a tequila, traz a cerveja verde de Saint Patrick e nós vamos é festejar muito as coisas que não sucumbem jamais, como a nossa amizade, o nosso amor verdadeiro à distância. Quem disse que só estando perto é que se está junto?? Vc é comigo e eu contigo, sempre.

Loveuuuuuu..... <3

Valéria Braidotti disse...

Comecei a ler... Li o blog quaaaase todo... impossível parar... me vi em mil lugares... em letras, palavras, parágrafos, avessos e direitos.
Isso é vida.
Beijo!