terça-feira, 9 de novembro de 2010

Amor é um privilégio de todos


"Nenhuma arte é maior que a arte do amor. O amor é a única riqueza que se multiplica por divisão."




Ouvi isso em um casamento certo dia em São Paulo, quando fui acompanhar meu amigo Gustavo Cella.
Noivos simples, apaixonados, famílias humildes, mas tudo bonitinho, com cara de que foi preparado dentro dos conformes e das possibilidades, com muito carinho. É o que interessa.
Eu ali, em Moema, um dia de garoa, meu coração ainda imensamente triste, meu peito doendo de forma que eu não conseguia fazer parar (sabe o que é isso? não queira...) por sofrer de uma dor de (des)amor insuportável e covarde para mim, mas disposta a abrir-me à renovação. No abraço do meu amigo Gus, que me fez uma privilegiada por sua existência em minha vida, presenciei uma das cenas mais amorosas, sem exageros, sem ser de novela. Agradeço a Deus por me sensibilizar para aquilo.
A alegria do noivo quando a moça entrou. Nunca vi nada igual. Ele a observava apaixonadamente, emocionado, chorando discretamente e sem desviar os olhos dela. Sussurrava pra ela, ao longe, extasiado, feito um menino grande, enquanto ela vinha de lá, serena: "que linda, meu amor, que linda"... e limpava as lágrimas com o lenço retirado da lapela... "ai, meu Deus, como eu te amo"... ele dizia, orando, olhando por vezes para o alto... "você é a mulher da minha vida"... e sorria para ela com cumplicidade...
Eu assistiria aquele casamento por muitas vezes, sem me cansar de olhar para aquele rapaz. Senti uma esperança... acho que foi esperança o que senti, não sei, esperança de que aquele seria um casal feliz...
Tive um casamento imensamente feliz e bem-sucedido, com um homem maravilhoso e eterno em minha alma, que me deu meu maior presente divino, que é minha filha... eu sei o que é ser feliz, por isso sei o que espera aquele casal. Havia respeito, cumplicidade, harmonia e amor, que é fruto de tudo isso e que gera prosperidade e paz.
Pensei que aquele era um momento tão único para eles, que o moço não conseguia expressar o que sentia na medida que queria. Era impossível e isso o emocionava.
Escolher ficar com alguém é isso. As palavras não são suficientes pra expressar o que a gente sente, de imenso que ta lá dentro. Nasce uma necessidade de se partilhar da vida do outro, partilhar, de ser parte. Quanta importância há nisso que muita gente não vê. Relações efêmeras, mas no fundo todo mundo quer alguém.
Apaixonados são privilegiados. Falo da paixão do amor mesmo, não aquela que, dizem, dura dois anos e passa. Amor não passa nunca... é como o cheiro da chuva na terra, o gosto da infância na mente, a sensação abstrata das experiências concretas, a voz da mãe, o abraço do irmão, o vôo de liberdade quando o pai joga a gente pro alto e curte junto, a risada de aprontar inocências com os amigos, a aprovação discreta da professora - que observa em você o futuro que você ainda não vê -, fingir dormir, até adormecer de verdade vendo TV no colo do vô. O primeiro olhar eterno e totalmente entregue que a gente lança para o filho. Único... como todos os que virão.
São tantas as felicidades dessa vida... e, veja, nenhuma delas se faz na solidão, se faz sem uma parcela de amor, sem a entrega do coração. Sentimento tem que ter gente, troca, alma. Amor é um privilégio de todos. Lamentável quem não é capaz de se dar, quem desconfia que não mereça, quem se limita ao pouco, não se permite, se aprisiona em si. "Que a liberdade seja o que nos prenda um ao outro."
O amor faz da gente um ser melhor, seja como for, o resultado é sempre esse. Todas as boas experiências da vida são feitas dele. Tantos poetas cantam o amor... Agradeço a todos os meus amores por darem repertório à minha história.
Só o amor vence o tempo... o recheio fica na lembrança pra sempre, não o fim (e é pra essa recordação que muita gente dá mais valor e não deveria). O tempo apaga todas as saudades, em nome do que é bom, menos a saudade do amor.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Saltar bem alto!!!

Eu, definitivamente, sou uma pessoa de muita boa sorte. Sou mesmo abençoada. Tudo o que preciso, acontece da forma como precisa ser. Na hora, nem sempre dou o valor que a coisa tem, outras vezes até choro e fico mesmo emocionada com aquele acontecimento inusitado. Mas é uma sensação bem da boa.

Aprendi a me emocionar e choro mesmo. Não tenho problemas para rir ou chorar, pedir ajuda, dar risada com gente estranha, ir ao banheiro público se estiver precisando, tirar os sapatos se estiverem machucando meus pés, dançar até despentear os cabelos lindamente produzidos, deixar de ir a uma festa pra ficar com um amigo que não esteja bem, sair na chuva e borrar a maquiagem, dar minha opinião e ouvir a do outro, declarar amor por quem me faz bem. Cada momento é único, viver me emociona e mesmo quando há uma torcidinha contra, a real é que a inveja é o desejo mais humano de querer ser protagonista daquele momento. Aí, a gente torce pra que a pessoa também conquiste.

Deus provavelmente se cansou de querer me mostrar algumas coisas levemente e tem despejado uma série de informações sobre mim. Não... não cansou, acreditou na minha capacidade de assimilar. Muita coisa tem sido um baita puxão de orelha para que eu respeite melhor minha intuição e o tempo das coisas.

Cada coisa tem seu tempo, sim. E acontece no instante mais preciso. Aí entra a intuição, aquele sentimento de que você sabe o que vai acontecer, mas precisa ter paciência para a hora da chegada. Apaziguar o sentimento e curtir a batida do coração. É muito bom!

Já ouvi muitos conselhos, dispensei a maioria e assimilei diversos. No final, a decisão é sempre minha. Mas gosto de ouvir. É interessante isso de saber o que as pessoas pensam, porque as ideias são compostas por experiências, pelo “ouvi dizer” ou o “já vi acontecer”, pela cultura, educação e personalidade. Mas a maioria é pela experiência mesmo.

Poxa... vida, né... que interessante. To aqui filosofando sobre a minha. Que vida legal eu tenho. Quanta gente importante faz parte dela. Quanta coisa boa eu já fiz. Quantos planos bacanas eu reservo pra daqui a pouco. Quanta decisão e dúvida. Quanta colheita. E que aprendizado!

Isso é só uma coisa. E uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como brinca um de meus muitos e bons amigos. Acho que estou sentindo uma paz em alguma parte de meu organismo. Vivência orgânica. Foi um processozinho dolorido. Mas foi integrante. Se bem que às vezes tive vontade de me desintegrar, se querem saber.

E, dentro de todos esses processos, afinal, existem os defeitos que a gente vai tentando corrigir pra evoluir como ser humano. Alguns são como um super rasgo na meia-calça na hora de concluir a produção para começar a própria festa.

Mas eu nunca me esqueço de quem me ajuda a dobrar meu paraquedas (que agora escreve assim, pela nova regra gramatical, que particularmente acho pouco interessante). E não aceito essa coisa de que a gente deve dar sem esperar receber. Sempre, todo mundo, espera o retorno, seja material, emocional, um sorriso ou qualquer coisa. Quando não vem, é bem ruim... é como a criança que espera a bola de capotão de Natal e vem a de “prásteco”.

E olha que quem dobra o nosso paraquedas é uma puxa de uma pessoa importante. Você deposita nela toda a sua vida. Nada mais, nada menos, apenas a sua vidinha inteira. Imagine-se, lá do alto, apreciando a paisagem, contando até 20 e respirando antes de abrir o equipamento (um, respira, dois, respira, três, respira, aprecia, quatro e vai plainando...) e, de repente, na hora de puxar a cordinha, ela emperra. Você cai, como um saco de cimento, profundamente. Queda sem volta. E nem dá tempo de pensar: “aquele filho-da-puta sequer se preocupou se estava dobrando direito meu paraquedas!”

Mas, o contrário, se você pousa perfeitamente sobre aquele solo macio, depois daquela plainada boa, da contemplação da paisagem, do vento na cara que entorta toda a sua pele, do grito de “uhuuullll” que significa liberdade, do Sol na cara, brilho nos olhos e tudo deu certo pra você no fim daquela jornada... eu te pergunto, meu amigo, minha amiga (isso é resquício de horário político.. rs): você se lembra de agradecer e admirar quem dobrou seu paraquedas? Na hora da emoção, da adrenalina, talvez e provavelmente não. Dificilmente. Porque num outro dia, quando você for saltar de novo, ta lá a mesma pessoa, fazendo o mesmo trabalho, pra você curtir sua vida do alto, com a cabeça nas nuvens, e poder comemorar com os pés no chão.

Fim da história. A moral (minha moral, que serve pra mim e talvez pra você): tenha paciência, confie e saiba valorizar o tempo (isso é fé!), ouça sua intuição, aguce-a, faça com que as pessoas que estiverem por perto sintam que você lhes dispensa atenção e lhes dá importância, auxilie, peça ajuda, ame do coração pra dentro. Não se esqueça de se emocionar, permita a adrenalina, curta o salto, pouse seguro, sempre tem alguém que nos espera. Ao abrir os olhos pela manhã, aquele clarão renova suas chances de ser melhor. Seja grato.

Valeu por ficar comigo até aqui!



Imagem do site canalverde.tv