quarta-feira, 4 de abril de 2012

Dani's Garden


Este é o meu jardim! Até o Sol ilumina na medida!

Há uns 40 dias, minha mãe jogou sementes de papaya no meu jardim. Depois de dois anos morando nessa casa, só recentemente tive tempo de plantar e dar a esse espaço verde sua devida atenção.  Quando me mudei, todo o entulho da reforma interna havia sido jogado no espaço de 1,50m x 3m, que parecia não ter solução. Removi o entulho e descobri uma roseira branca sufocada em meio aos escombros. 
Com uma enxada, revirei toda a terra, arranquei o mato e também a roseira, com a intenção de plantá-la em outro lugar, mas ela não resistiu e morreu. Sobe a terra remexida, retalhos de azulejos, madeira, sujeira. Tirei tudo e resolvi deixar a terra descansar e a natureza fazer sua parte na recuperação.
O cheiro de coisa velha e molhada entrou por dias pela janela da minha sala. Até que, um dia, notei a grama voltando a  crescer e acredito que, embora o mato seja considerado ruim, ele é a prova de que aquela terra é boa. 
Dito e feito. Dei um tempo e permiti que o matagal tomasse conta do pretenso jardinzinho. Até mesmo plantas medicinais cresceram ali. Foram várias podas de mato até que, ao remexer novamente a terra, descobri que quem estava dando uma mãozinha para adubá-la era uma família de minhocas!!! Quando eu era criança costumava transformar as minhocas em bonecas quando brincava no quintal de casa. São molinhas, geladas e muito limpas.
Bem... se tem minhocas, o lugar está perfeito!!!! Depois do plantio, da perda de diversas mudas que não vingaram, da troca de quase todas as plantas e do aprendizado sobre como fazer direito, já se passaram quase seis meses e noto que as mudas que ficaram são agora definitivas. 
Há um pé de jasmim, um de romã, três folhagens diferentes, plantei ainda uma roseira branca - in memoriam da que se foi - e, pasmem como eu, percebi ontem, ao fazer a limpeza, que em breve terei não um, mas logo dois pés de mamão e bem no abrigo de casa!!! Fruto daquelas sementes que minha mãe simplesmente jogou à terra, como fazem os passarinhos. 
A roseirinha já me presenteou, no começo desta semana, com sua primeira pequena e singela rosinha, que encantaria até o Pequeno Príncipe. O jasmim ficou longe da janela da sala, mas próximo ao portão, para perfumar a passagem das pessoas pela minha casa. 
Rosas brancas e jasmins agora no outono/ inverno; mamão e romã devem chegar até o fim deste ano. Faltam orquídeas, girassóis e crisântemos, que amo tanto, além de uma roseira imensa com rosas vermelhas iguais às da Rainha de Copas do País das Maravilhas... mas todas estão junto com os planos que já concretizo em minha nova casa, onde começarei uma nova fase de vida, deixando para trás o lindo jardim que cultivei e levando comigo o aprendizado dessa experiência e as boas lembranças que esse endereço me proporcionou.
Observando a natureza, a gente pode refletir sobre a vida: é preciso plantar o que se deseja, cuidar das coisas boas, eliminar o que não serve e cultivar a paciência e o amor para ter um resultado feliz. 
Meu jardim está cada dia mais lindo!... 

Um beijo... e muitas flores pra vc!!


Minha morada é meu templo. Sejam bem-vindas a esta casa, pessoas do bem

Este pequeno botão branco é a rosinha

Olha o mamão papaya aí, gente!!!

O jardinzinho, visto por outro ângulo 
(Detalhe: os vasos estão sobre pedras "amebóides", feitas por meu amigo Thomas Burtscher)

Vista panorâmica do Dani's Garden 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Finaaaal do primeiro tempo!

Tirar manchas de roupa também é uma luta!!


Hoje cheguei a 7ª e última sessão de quimioterapia e estou muiiito feliz, pq deu tudo certo. Mais feliz ainda porque essa experiência maravilhosa foi comigo. Como jornalista, essa tem sido uma grande pesquisa de campo. Mas, de verdade, agradeço diariamente por ter sido comigo e não com minha filha ou minha mãe... ou qualquer mulher muito próxima de mim.
Dentro de uns dias, começo a próxima fase, a da radioterapia. Serão cinco semanas, com tratamento diário e já sei que vou tirar de letra. Não que seja simples, mas creio que será um aprendizado e terei facilidade. Boto fé nisso porque sou resistente à dor, resiliente, tenho facilidade para esquecer e desassimilar o que me faz sofrer. 
Nessa primeira fase, apesar dos momentos em que me senti um pouco pra baixo, solitária, com um desejo imenso de simplesmente ter alguém do meu lado só pra segurar minha mão e mais nada, não me faltaram bons amigos presentes que, contabilizando, não preenchem os 10 dedos das minhas mãos. Mas também tive bons amigos que, mesmo distantes, ligavam constantemente, enviavam mensagens, me deram carinho à sua maneira. Me dispensaram atenção e me deram importância.
Minha família também se perdeu comigo nessas descobertas e talvez algumas pessoas tenham encontrado algo de bom... é o que se deseja a todo mundo. Minha mãe, meu pai, meu ex-marido e minha filha se doaram como puderam, foram muito carinhosos, solícitos e presentes. Fizeram muito bem pra mim, mesmo quando não compreendiam o que precisava ser feito. 
Mas a próxima fase será mais fácil. E sabem por quê? Porque tenho uma forma de pensar sobre a necessidade de fazermos por nós mesmos, embora nem sempre eu aplique, mas posso dizer que me empenhei 90% nisso. Sempre procurei manter-me firme na ideia de que todas as coisas são um presente na vida. A gente vive demais o passado, faz muitos planos para o futuro e renega o presente. É preciso pensar mais no hoje, no que a gente precisa hoje. 
Outra atitude que fez diferença foi meu comportamento: não é preciso ter uma cara de doente e acabada para se estar debilitada na saúde. Muita gente me cobrou isso e para elas eu apresento meu dedo do meio. Muita gente adorou minha atitude positiva e o esforço para me manter sempre bonita e alegre, porque faz parte da minha personalidade. Pra elas, meu dedo positivo, hang loose, rock'n'roll. 
Nunca me importei em ser exemplo pra nada, nem ninguém, porque tenho comigo que o grande barato da vida é a diferença entre as pessoas. Mas desta vez espero, francamente, que meu bom humor e as boas consequências que advêm dele, estejam servindo como exemplo, força, atitude, que ao menos tenham feito alguém pensar sobre a necessidade de ter fé na vida e em si, em Deus (seja como ele se manisfeste), na capacidade de dar solução aos problemas, de viver de uma maneira mais simples, afinal não precisamos de muita coisa. Mas é fundamental termos saúde!
Outro dia eu estava me sentindo muito indisposta e observei um grupo de pessoas dançando, pulando, bebendo, brincando e se divertindo. Pensei: "puxa, eu conseguia fazer tudo isso e agora estou só olhando. Tudo bem, esse é o meu momento, essa sou eu, maravilhosa como posso e alguém que consegue ser feliz vendo gente de bem com a vida perto de mim." 
Mas a conclusão é que quando a gente está bem de saúde, nem sempre se importa em cuidar dela. E não falo apenas de ter um corpo sarado, que para muita gente é só isso que é saúde. São as boas companhias, os momentos de felicidade, um trabalho que lhe dê prazer, a comida feita com amor e dividida com quem a gente gosta, um passeio num parque, a dedicação a um hobby, desenvolver uma habilidade, viajar, conhecer pessoas e lugares novos, ter coragem de mudar e voltar atrás caso não seja aquilo que se planejava, optar por alimentos que preencham sua alma e saciem sua necessidade, cuidar do corpo como sua primeira residência, cuidar da alma como sua residência eterna, cuidar dos seus desejos e do coração como a morada da sua alegria, cuidar dos seus como o abrigo para seu coração, chorar e refletir quando a tristeza, o desânimo, a solidão, a inveja, a raiva chegarem, afinal somos humanos e sentir essas coisas não é mal, mas importante para nos colocar em reflexão e nos propor o conhecimento de nós mesmos. Mal é o desequilíbrio em quaisquer níveis: não existe gente somente feliz, somente boazinha, somente educada. Essas são para se desconfiar. Perfeitos são os que sentem, amam e odeiam, mas buscam em todas as suas capacidades, a evolução, a solução para seus perrengues, mesmo que inconscientes disso.
Tudo nessa vida tem como ser sanado, absolutamente tudo é possível de se resolver. Eu não duvido disso, porque minha vida tem sido uma sucessão de felizes milagres diários. Fé não é acreditar, mas nunca duvidar. Somos seres divinos, capazes de mudarmos muita coisa no campo universal, no âmbito de nossa convivência, mas com grande dificuldade de transformarmo-nos às vezes. E é essa a tarefa mais difícil mesmo.Talvez seja pra isso que estamos aqui: não pra mudar o mundo, mas pra nos descobrirmos seres divinos. 
Eu tenho tentado cada vez mais dar ouvidos a minha intuição e perceber sua proposta na área da minha razão, mesmo quando ela se manifesta no barulho do meu caos interno. Ouço seu silêncio, sua sutileza, analiso seus valores. O resultado tem sido produtivo. Está valendo a pena viver minhas experiências. Agradeço a Deus e ao universo, de verdade, por tudo o que recebi até agora. Que eu tenha cada vez mais forças e em cada situação, eu possa renovar minha fé.

É isso.