terça-feira, 6 de novembro de 2012

Meu retrato em amarelo





Cabelinho fresquinho, trabalho maravilhoso com pessoas maravilhosas, filha saudável e humana, amigos espetaculares que não me largam, saúde em riba. 
Falo, ando, vejo, sinto, tenho todos os sentidos em ordem, acordo com a certeza de um dia excepcionalmente melhor, sou livre, estou sempre sorridente e feliz, não me falta amor nem pra receber nem pra doar.
Minha casa tem luz elétrica, chuveiro quente e frio, colchão novo super delícia, meu "apertamentinho" é aconchegante, as contas estão sempre em dia, comida não falta no prato, tenho enfeites de Natal que logo tiro da caixa e pretendo encher a casa de magia este ano.
Vamos ver... o que mais??? Tudo!!! Tenho tudo o que preciso e o desejo de evoluir. E sou portadora de uma mágica: tudo o que quero, eu consigo, porque acredito. Se não vem como e quando quero, sempre vem a justificativa redondinha. Isso é muita sorte na vida!!
Se, ao fazer seu check list, você não se identificou com tudo isso também, de acordo com as SUAS proporções, com a SUA história de vida, posso te indicar o meu administrador, o ser divino que me rodeia, abre as clareiras, varre meus caminhos, me protege, segura, ouve, orienta. O nome dele é Deus, mas atende também por Fé.
E ele me deu a graça de ser quem sou, um privilégio (essa palavra é linda!) na vida de quem me acolhe. 
Sou um campo de girassóis, sempre voltada pra luz, recebendo boas energias. Sou um campo porque as pessoas que amo passeiam por mim livremente, completas e acolhidas. 
Sou divertida, calorosa, sorriso aberto, abraço grande, olhos verdadeiros, sou uma pessoa fiel, sinto de verdade, falo a verdade mas prefiro muitas vezes medir palavras para não magoar. 
Não gosto de gente que fala o que pensa a qualquer custo, que despreza os outros, que humilha, que se sente no direito de desvalorizar o outro e suas conquistas (independente do tamanho delas), que dá nota sem ter sequer valor, que é injusta, desonesta, ingrata, mexeriqueira. Não gosto de gente covarde.
Mas, pode parecer estranho, respeito gente ignorante. Porque mesmo que o conhecimento seja gratuito, nem todo mundo tem capacidade, discernimento ou até mesmo necessidade de buscá-lo. E alguns tipos de ignorância servem até como proteção.
Eu gosto de gente e mesmo as que têm defeitos que são graves pra mim, eu as respeito. É que isso faz eu me sentir bem, feliz, em tranquilidade. Como se eu dançasse em meio a um campo de girassóis. Quando estou nessa paz, me sinto como um deles. 

"Aonde tenha Sol, é pra lá que eu vou!" 


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Date a girl who reads


"Namorei" esse texto do início ao fim. Como leitora compulsiva, de Barsa a folheto de mercadinho, digamos que esse espaço cedido a ele em meu blog pode parecer algo como legislar em causa própria. Não é propaganda, estamos cheios delas neste período de eleições, mas é quase uma defesa das mulheres leitoras: sou uma nerd moderninha, a descolada certinha, embora distante (Grazie Dio!) de puritana. 
Como canta a Rita, eu, assim como a Pagu, "não sou freira, nem sou puta". Sou leitora. Leio três livros ao mesmo tempo para conseguir segurar minha atenção em pelo menos um, desisto dos três se me dá vontade, paro e volto, concluo e posso recomeçar o mesmo livro para degustar de novo.
Livros são obras de arte. Precisam ser contemplados. E o que mais me intriga é a ousadia do autor, a coragem de arriscar a oferecer um pedaço tão grande de si aos outros. 
Ler é como fazer amor: tocar, sentir a textura, o cheiro, buscar a melhor forma de se acomodar naquele instante, apreciar, sentir, tomar posse por alguns momentos, apaixonar-se, ser único, deslizar, virar a página para continuar a história. 
E, a não ser pelos propósitos que os estudos freudianos poderiam talvez esclarecer, "namorar" uma mulher que lê (e sabe interpretar, o que infelizmente nem todo mundo sabe) é dispor-se a um universo muitas vezes mais interessante até que o próprio livro. Basta fazer boa leitura. Beijos meus... 





"Namore uma garota que lê"


Rosemarie Urquico



Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café. 
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. 
Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, E. E. Cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade, mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve."