sexta-feira, 6 de setembro de 2019

"Um olhar de cuidado (e amor) para com o outro"

Lembrança de Julho de 2017. Foto: Alessandro Maschio (sempre impecável) 


Formar um filho não é limitar nossos anseios a esse dia lindo da conclusão da faculdade, mas essa (de julho de 2017, há dois anos) é uma das lembranças que mais me emocionam, porque conheço o esforço de minha filha para isso, bem como para tudo o que faz. Minha menina valente!

Eu acredito que nada se faz bem sem amor nessa vida. Nada, nem esfregar roupa. Se você tem a capacidade de olhar com amor para qualquer situação, ela ganha nuances que te permitem descobrir a melhor maneira de lidar. É treino e não é simples, nem fácil e nem quer dizer que eu consiga todos os dias, mas acredito e me esforço.

Meus nonos cuidaram da terra com amor e acariciaram seus filhos com as mãos surradas da lavoura. Meus avós mexeram muito doce na lata que queimava na fogueira de madrugada - a mesma que meu pai cuidava aos 7 anos de idade -, cuidaram da casa de chão de terra batido e ficaram dias e noites no caminhão pelas estradas, longe da família e do descanso de um lar, para que os filhos aprendessem que a distância, a dedicação e o suor do outro são dignos de respeito e que todo o esforço era por amor. Meus pais tiveram que aprender, desde muito cedo, que conquistas são diárias, que dificuldades devem ser as pedras para a construção dos sonhos e fizeram disso o alicerce para o melhor cuidado e conforto que poderiam oferecer a mim e meus irmãos. Quantos das famílias viveram nessas semelhanças!

Eu sei que a vida pode dar e tirar a qualquer instante e isso não nos torna menos merecedores do melhor, da dádiva de acordarmos sob a luz de dias vitoriosos. Minha filha é um resumo tão bom de todas essas pessoas.

Se eu fosse desenhar essa nossa história, seria uma escada para além das nuvens, ela em seus primeiros degraus sendo amparada, incentivada, puxada amorosamente pelas mãos de todos esses agentes da nossa história particular, que inclui outras lindas e importantes narrativas do lado paterno.

Ela é grata pela inspiração para um olhar de cuidado para com as outras pessoas. Isso honra o que acredito como verdadeira formação de um filho. Um olhar amoroso para a vida, seja a de quem for, só se forma dentro de nós a partir do respeito e responsabilidade com o amor que recebemos. Essa sim, é a melhor das lembranças desse momento.

Grande abraço!

Dani

quarta-feira, 14 de março de 2018

O transtorno que o excesso pode causar



Olá, leitores queridos! 
Quanto tempo, neh? Saudades! 

Vamos lá! Faço parte de um grupo de mulheres e nos falamos pelo Whats App (interessante que quando este blog foi criado os celulares serviam praticamente para ligar e receber). Nesse grupo, trocamos informações que possam nos auxiliar a evoluirmos como pessoas, a nos reconhecermos melhor como mulheres, dentro de uma proposta de reflexão sobre o feminino... e não quero usar a palavra empoderamento porque me soa a cupcake (receita muito boa da moda).

Dia desses, uma delas postou um vídeo da vlogueira Jout Jout, lendo e comentando sobre um livro intitulado "A parte que falta", de autoria do ilustrador americano Shel Silvestein. As opiniões pipocaram no grupo: uma defendeu que a falta significava busca constante, outra criticou a questão da valorização da incompletude, alguém se sentiu representada, a que postou ficou ofendida, mas a conversa valeu muito mais que os insuportáveis gifs de "bom dia" com a fumacinha evaporando da xicrinha de café.

O vídeo, claro, está aqui para quem quiser ou não se identificar e tirar suas próprias conclusões. Acho que hoje em dia tem muita gente opinando no sentido de se tornar celebridade. A Jout Jout, confesso, não acompanho, mas já vi algumas vezes, por indicação da minha filha e achei muito legal. Ela é uma dessas muitas celebridades jovens da nova era tecnológica e admiro o fato de conseguir arrematar seguidores apenas com suas ideias. Isso certamente é o que a credencia como celebridade. Tanto que o livro entrou para a lista dos mais vendidos após o vídeo viralizar. Parabéns, Jout Jout! 

Sobre o vídeo e as opiniões do grupo, quero compartilhar a de minha amiga Mônica Salles, jornalista, uma pessoa pertinente, amorosa, estudiosa, da paz e que provocou o delicioso debate. Para a Mônica, foi "um desserviço à jornada da autoestima e autoconhecimento um vídeo como este da Jout Jout, que propaga tão insistentemente sobre a “falta”. Fiquei entristecida pois me veio à mente tantas amigas e familiares que ainda vibram nesta falta e sofrem, sofrem muito. Aqui temos um grupo consciente que entende que somos seres completos mas, infelizmente, muitas mulheres, boa parte delas, se sente daquele jeito que ela, num episódio catártico, exibiu ao mundo. E aí temos que estar sempre atentas a sair costurando, reconstruindo, ajudando amigas a diminuir o efeito de um discurso impactante desses. Desejo que todas estejam vibrando na completude e no amor para seguirmos emanando sentimentos amorosos e acolhedores para que nossas outras irmãs deste mundo afora se atentem para a infinita paz e “todo divino” interior". 

Eu penso que, segundo a história contada pela Jout Jout, a falta demonstra a insatisfação e a inobservância do ser como um todo, o que leva a bolota ( personagem do livro) a distrair-se por pensar, focar demais no objetivo e deixar de curtir a beleza do caminho. Acho que nos completamos com questões internas e externas, por isso somos consumistas de tudo: bens materiais, sabedoria, flores, opiniões, são buscas e todas voltadas para nos fazer felizes, mesmo quando não fazem. O objetivo ao menos é esse.

No vídeo, a Jout Jout faz o que estamos fazendo aqui: expõe sua opinião a partir de suas experiências, inclusive em consultório. Aliás, opiniões são assim, a partir de nossas experiências, e até mesmo o que refutamos, pode ser motivo para reflexão. Por que estamos negando?

Por outro lado (e é mais esse mesmo que defendo), acho que se refletirmos tanto sobre tudo, nos tornamos pessoas chatas, metódicas, "encaixotadas". Tenho uma amiga, a querida Zazá lá da minha amada Campo Grande (MS), que me disse certa vez, em um momento de muita "falta", que refletir demais na maioria das vezes nos impede de vivermos naturalmente. Isso significa ligar o foda-se, sentir os sabores, permitir que a borboleta pouse sobre nós, apostar corrida com um besouro, amar quem não se encaixa, deixar quem até se encaixava, ser feliz ou sofrer com essas decisões. Tudo traz uma lição e, por experiência, nem toda lição a gente aprende. Às vezes voltamos a ela e outras somente seguimos. Vida é tudo o que está dentro, fora, ao nosso redor. E quem está certo ou errado?

Vamos aqui neste link ao vídeo da Jout Jout... e a novas ou semelhantes conclusões.

Um beijo carinhoso e até a próxima!

OBS.: em breve, tem novidades do Linha na Pipa.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Um tchau pra Cabrita



Hoje morreu a atriz Márcia Cabrita, aos 53 anos, de um câncer de ovário que enfrentava havia sete. Ela ficou mais conhecida como a Neide Aparecida, a doméstica do programa Sai de Baixo, da Globo.

Quando eu tive a mesma doença descobri seu blog, intitulado Força na Peruca, que me alimentava com esperança e companheirismo (tinha mais gente com os mesmos receios e temores!) e dividíamos esse momento com essa troca. Cheguei a escrever sobre isso aqui, no Linha na Pipa.

Como atriz, seu desejo era ser sensual, mas era mais engraçada e seu sucesso veio com a aceitação de quem ela era de melhor.

Assim se faz o sucesso (não falo de fama, mas de conquistas pessoais): quando a gente ouve nossa voz interior, conversa com ela e a respeita.

Com o câncer não tem muita conversa. É um combate. E não há perdedores, nem mesmo a morte os classifica dessa forma.

Ela se foi, eu superei, superamos de maneiras diferentes.

Não me tornei frágil, nem menos (muito menos) incapacitada para trabalhar, sair, namorar, viver. Ao contrário, sinto-me mais amadurecida e tranquila, tenho mais facilidade para tomar decisões, aceitar opiniões, falar com respeito e calar com sabedoria. Sou uma mulher realizada, com muito sucesso como mãe, filha, irmã, amiga e profissional.

Pode haver quem discorde, mas compreendo e me calo com sabedoria. Cada um sabe o que é melhor para si e às vezes enxergamos o melhor para o outro, que o outro não está vendo sozinho. Para isso, tem a amizade e o amor.

Com carinho pela querida Márcia, compartilho um post do blog dela, bastante pertinente, na minha opinião, como também os outros que ela deixou. Espero que você tenha um tempo para ler.


Como não encher o saco de alguém com câncer


Beijão,

Dani

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Um amigo é assim


Vem até você, senta-se perto, te espera perto ou longe, fala, ouve, te observa com olhos de amor, mantém as mãos e o coração livres pro afeto e tem sempre um sorrisinho maroto, uma piada estúpida, um conselho que nem mesmo ele segue, até quando muitas vezes desaprova suas atitudes. 


Ele te espera, tem sempre um lugar vago - que é seu - para compartilhar a jornada, pronto para que as experiências sejam fantásticas, a gente continue a ser criança no sentido mais humano da palavra.


Tem sempre um estilingue escondido no bolso da calça para atirar longe a sua tristeza. 

Amigos de rotina, quase parentes, amigos distantes e inesquecíveis, amigos que me olhem do alto, alicerces na construção da minha felicidade, como gosto dos meus amigos!

Um olhar de amigo tem o poder de resumir a atenção e sintonia de boas conversas, uma afinidade divina. 


Amigos tão distantes e tão perto, doces pedaços da gente que andam por aí, a quem se espera com paciência e um lugar único reservado aqui do lado que já conhecem no peito da gente. 

Abraçar é o melhor remédio para qualquer situação na vida. Abraços aos meus no Dia do Amigo! Quem é, sabe... 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Os narizes do novo ministério e as necessidades do povo



A rádio Jovem Pan SP discutia ontem que a falta de negros, mulheres e gays no novo ministério do presidente Michel Temer (PMDB) seria assunto derramado nas redes sociais nos próximos dias. Dito e feito, mais óbvio impossível. 
Creio que o momento seja da necessidade de representatividade de massa, de atitudes que paralisem nosso empobrecimento, de concentrar as energias no esgotamento desse esgoto formatado. A proposta alternativa - consolidada sim a partir de uma escolha eleitoral - tem Ali Babá e seus sei-lá-quantos investigados/ suspeitos/ ladrões como referência e é preciso cobrar ações. É também para se refletir, no mínimo, sobre as próximas escolhas. O vice vem no pacote e em 30 anos ele acabou assumindo o papel principal por diversas vezes, se não me engano esta é a 4ª. É o que temos pra hoje, como dizem.
Vejo determinados grupos se movimentando para questões paralelas, como se vivessem num mundo de Alice, alheios ao perrengue que a maioria está vivendo. Assim como eu, amigos com excelente índole, formação e experiência profissionais das melhores estão trabalhando simplesmente para não faltar o que comer, atuando em funções muito aquém de suas capacidades técnicas e intelectuais e dando graças a Deus por terem isso. Está cada um por si, negócios familiares e tradicionais se diluindo, o preço de tudo numa exorbitância, todo mundo se segurando para não adoecer emocional e nem fisicamente, pois não há verba nem para remédio e não há dinheiro circulando. Isso é grave! Isso sim é grave!! 
Me perdoem os que por sorte, competência, indicação ou por serem coxinhas mesmo, estão assistindo os acontecimentos de boa, com a proteção da tela da TV, motivados a acender chamas e comentar amenidades enquanto degustam uma pratada de arroz-feijão quentinha, mas eu quero é mais que a bomba falhe, que a coisa dê certo e que, independente de ter mulher, negro, gay, macho, ladrão, maluco, bêbado, gordo, velho, pobre ou qualquer um no controle, haja capacidade para que a situação mude, melhore. 
Essas pessoas já marginalizadas também compõem nossa sociedade e a maioria está pouco se fodendo para representações, desde que a que estiver promova movimentação e a economia - que é o que nos rege a vida - dê respiro ao povo. Sou tolerante como observadora e acredito na alquimia dos acontecimentos, no tempo para a ebulição, eclosão, transformação, mudança ou o nome que cada um quiser dar, conforme suas convicções reacionárias, para o resultado que todos pretendem... precisam, querem, desejam, esperam. Essa é minha opinião, que é que nem nariz, cada um tem o seu e sabe o quanto serve para oxigenar.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Quando a gente quer muito uma pessoa





Adorei esse post, mas não acho que é possível generalizar. Nem sempre a gente se engana e conheço muitas boas histórias de amor, eu mesma vivi algumas, sendo uma excelente, que me rendeu uma bela filha. Mas que a gente clama ao universo que o outro seja perfeito como desejamos, isso é verdade!
E como saber inicialmente se vamos ou não nos enganar? Penso que é preciso arriscar, tentar e até sofrer e desejar que o outro se encaixe um pouco mais no que a gente quer para conferir se cabe ou não essa tarefa na nossa vida. Amar é uma atividade de risco, mas os corajosos são mais felizes porque conhecem todos os lados da aventura. 
Outro dia li no Facebook um post engraçado, em que o rapaz dizia que se o relacionamento dele não desse certo, ele optaria por ser gay, porque prefere tomar no cu várias vezes a sofrer por amor mais uma vez... rsrs. 
Não me acho romântica (embora a Cássia, a Renata e a Raíssa me "obriguem" a rever esse conceito), mas não deixaria de arriscar, mesmo acreditando que o amor não é um sentimento tão honesto, é manipulável, confundível, diferente do ódio, que não deixa dúvida. E, assim, com a determinação de uma corajosa, estou tentando e, dessa vez, o caminho tem sido de mão dupla... pelo menos por enquanto. A alternativa X é acreditar. 

Um beijo e muito amor para quem for!

Dani

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Naturalmente contorcionistas


Aninha, menina-flor, superando mais uma

Mulheres são contorcionistas por natureza. É aquela que acorda já com a agenda cheia de ideias e ainda encontra meios de ser linda, não importando seu padrão. Retoca o batom com a delicadeza de um botão entreabrindo rosa, ajeita a roupa dos filhos com o carinho de uma soberana, se embrenha na selva do trânsito louco da cidade disposta a vencer os desafios da paisagem, enquanto organiza mentalmente o seu dia. Chega descabelada, mas nada que uma passada rapidinha de dedos pelos cabelos não dê jeito. 
As mulheres de hoje, tenham a idade que for, são estilosas. Todas! São belas, vaidosas, multitarefas, sutis, amorosas, mocinhas e leoas em ocasiões que mudam em segundos. E, em meio a tudo que fazem, encontram tempo para serem contorcionistas: torcem daqui e de lá, em exercícios para manter mais do que um corpo em forma, mas a saúde física e mental. E como a prática leva à perfeição, em dado momento chegam a alcançar a cabeça com os pés, sem trocar a posição de um ou outro, pois manter a ordem das coisas é uma de suas especialidades.

Tenho visto isso acontecer com frequência ultimamente. Sou uma mulher de frente para outras mulheres incríveis, de personalidades bem diferentes e tão semelhantes em suas amorosidades com a vida. Comemoram vitórias com doces gargalhadas, vibram com seus quilômetros de vida, riem dos próprios deslizes, ouvem música para ambientar suas ações e não economizam bem viver. 
Exercitam corpo, mente e coração a todo instante. Compartilham. As posições do Pilates são apenas desculpas, são naturalmente elásticas. Não trocam os pés pelas mãos e são capazes de colocar os pés a caminhar em todas as direções. Desejam ser circulares, ovais, alongadas, são vencedoras sem medalhas ou festa no pódio, satisfeitas simplesmente com o reconhecimento do que antes parecia intransponível e foi superado.
Na real, para elas, nada é insuperável. Com paciência vão tocando a vida, festejando internamente suas conquistas. Elas são ilimitadas e sabem o que querem.

Um beijo para as amigas, em especial Renata Rosa, Ana Paula Angelini, Juliana Freitas, Cássia Marchetti, Denise Ponce, Renata Dias, Andréa Ribeiro! 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O sorriso de Palê

Olha a natureza te namorando e você, perfeito nela. Saudades... :)
Não sabemos mais do outro, informação sobre a vida de todos está neste Facebook, o que é tão maravilhoso quanto lamentável, já que um tempo fora daqui pode proporcionar um retorno surpreendente. Minha relação com Palê Zuppani​ veio dessa internet por conta de nossa situação afim e de outras afinidades e paixões, como a fotografia. Dura há pelo menos quatro anos e, nas nossas trocas de mensagens, facilidade pela nossa distância e "confinamento". Eu sempre ria muito com os desabafos dele, a maneira como abordava as barras que enfrentava e, embora eu não gostasse do termo guerreira, vindo dele me soava forte, bem como suas selfies, sempre sorridente e iluminado. "Palê, já reparou que toda foto sua é sorrindo?? Eu sou sua fã pq vc transmite informações importantes, como: "sou receptivo", "sou bom", "eu posso e vc tbm", "sou parceiro", "eu supero". Se eu fosse sua assessora, diria que está se saindo excelente, mas como sou sua amiga, digo que está perfeito!! kkkkkk"... escrevi uma vez.
Eu o admirava cada vez mais, um ser humano repleto de carinho e cuidado com o outro, um ser brilhante para quem não importava a aparência, o social ou quaisquer outras legendas, um humano que mais se identifica com natureza, parecia que falava com pássaros e que as paisagens sorriam para ele, pediam para namorá-lo e era o que ele fazia, jogava seu charme para ela e uma piscadinha de sua câmera para registrar esse encontro. 

Um homem lindo em todos os aspectos, que usou sua dificuldade para ensinar e tive o privilégio de ser uma de suas alunas. Fui ensinada sobre o bem, a paciência, a tolerância, o respeito ao próximo e a valorização de todos os seres. Não sei se aprendi como deveria, creio que este é um caso em que a aluna não supera o mestre, mas certamente algo mudou em minha história de vida. 

Essa pessoa maravilhosa influenciou de uma maneira carinhosamente positiva minhas ações, minha visão de mundo, minha existência por aqui. Com ele, aprendi o que o compositor Jorge Vercilo traduziu: "Aprendi com a dor, nada mais é o amor que o encontro das águas". Um encontro que conduziu Palê como uma constelação no fortalecimento de tantas almas, a quem ele deu voz em sua página Mielodramas, no Facebook. 

E hoje, depois de um bom tempo e dias pensando "Que falta do Palê!", fui buscá-lo e não o encontrei, apenas as tantas e tão boas palavras sobre ele, como tento fazer as minhas agora, consciente que nenhuma delas o identifica de maneira tão justa e profunda.

Cheguei atrasada para chorar essa dor que parece não acabar em mim no momento, lamentar a falta de tempo da gente comemorar toda a nossa recuperação nesse plano. Essa vida e a da falta de tempo que nos leva a refletir tanto num momento deste.

Há dias eu vinha pensando: "vou ver Palê onde ele estiver", agora que me recuperei de mais uma, "e iremos tomar aquele Yakult para comemorar tanta vida e novos voos". Em uma de nossas recentes conversas (ele também lia este meu blog), ele me mandou o link de um de seus textos, falando sobre Amor, uma de suas especialidades, e de uma maneira doce me contando sobre a condição que novamente enfrentava sempre com otimismo e fé na cura. "NÃO TEMOS O CONTROLE DE NADA, O IMPORTANTE É VIVER O MOMENTO PRESENTE. Fico feliz que a vida me deu e dá grandes oportunidades de vivê-la!!! Vivi e vivo cada momento intensamente. Isso faz toda a diferença." Palavras do mestre, que valem para tudo. O texto completo está aqui: Nota do Palê no Mielodramas

À família desse meu amigo tão, tão amado, (à família da qual ele veio e à imensa família que ele formou quando se doou aos outros de maneira única), dou meu coração, meu amor e estendo minha eterna gratidão por tudo o que ele me deu, pela fortaleza que construiu em mim e se fez especial e imprescindível. 

Obrigada por me emprestarem essa pessoa importante na minha vivência. Mando a vocês, como ele costumava desejar a mim e talvez a tantas outras mesmas pessoas que como eu o amam demais: Um grande beijo na testa e (cheio de exclamações) as melhores das energias!!!! 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Tu ta maluco? Respeita as moças!

Palhaço em manifestação com 210 mil pessoas em SP. 
Quantas mais foram lá só pra ofender? (Foto: Elisa Feres/ Terra)

Umas das fotografias publicadas pelo site Terra sobre as manifestações do dia 15/3, me chamou a atenção. Jornalista tem necessidade de opinar, comentar, sua ferramenta de vida são as palavras, mas confesso que tenho segurado minha onda sobre as manifestações. Porém, a imagem do rapaz segurando um papelão onde estava escrito "Dilma puta" ficou martelando.
Sinto enjoos quando vejo projetos de homens ofendendo mulheres. Não votei na Dilma e discordo de muito na atuação desse governo, mas ela continua sendo uma autoridade, brasileira, escolhida legitimamente e, como qualquer pessoa, merece e tem direito ao respeito.
Nosso povo mal educado não aprendeu da maneira correta o que é democracia e liberdade de expressão. Uma atitude ofensiva dessas, só porque ela é mulher (como sua mãe, sua irmã, sua avó, filha, tia, namorada e amigas), se encaixa em qualquer palavra criada para expressar um tipo de indignação que não tem mais termo. Caso das palavras libertinagem e politicagem. Essa ofensa é uma politicagem, tão sacana quanto roubar dinheiro de Petrobrás, Caixa e sei lá mais onde (mais fácil listar onde não), pois configura falta de respeito, de educação e, principalmente, de caráter.
Fico indignada pelo constante desrespeito às mulheres (sou mãe de uma mulher com uma personalidade admirável), mas também pelo que gente assim pode fazer com pessoas velhas, colegas de trabalho, animais, comportamento no trânsito, dentro de casa e etc.. A falta de caráter é inerente a esse tipo e infelizmente esse rapaz não foi o único, até mesmo mulheres cometeram esse suicídio mental.
Não é lamentável, é criminoso. Gostaria de entender por que a lei não é aplicada nesse caso, por que essa pessoa não é retirada da parada como fazem com os que vestem camisetas vermelhas, pois o direito dessas pessoas começa onde termina o meu e, como mulher, meu direito ao respeito não termina.
Esse "manifestante" deveria integrar o nariz vermelho como acessório permanente. Para puta não existe diferença entre termos, mas ser palhaço, no sentido pejorativo, combina bem com ele. Esse sim, e outros como ele, queria ver a polícia meter na cadeia, em todos os sentidos.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Quem somos para decidirmos sobre o direito do outro em amar?



Há dois dias venho refletindo sobre um excelente documentário que vi pela GNT, com o ator britânico Stephen Fry, chamado A Luta Gay pelo Mundo. Relatos fantásticos de gente impedida de simplesmente AMAR, vitimadas pela homofobia e pelo desequilíbrio de quem pratica o preconceito por medo do que lhe é diferente.
Logo no início do documentário, Fry mostra um dos maiores movimentos mundiais contra a homofobia: a Parada Gay em São Paulo, um exemplo brasileiro de evolução na aceitação do ser humano em sua diversidade. Aliás, São Paulo é um parabéns, maravilhosa na recepção de todo tipo de gente!
Na contramão, depois de mostrar esse lado do Brasil, Fry segura o vômito para entrevistar o deputado Jair Bolsonaro, que ele identifica como "um dos maiores homofóbicos DO MUNDO". Um contra-senso na evolução brasileira em relação ao combate ao preconceito, afirmação que se torna questionável diante das estatísticas que apontam para a morte de um homossexual a cada 36 horas.
Uma das falas de Bolsonaro "comemora" o fato do Brasil não agir como o Irã, onde assumir a homossexualidade é assinar a pena de morte por enforcamento, uma ação que assinala, para mim, a mais pura forma de calar alguém, sufocando qualquer perspectiva, sua fala, seus sentimentos, seu caráter, suas convicções.
A afirmação do deputado brasileiro é bastante perigosa. Quem aceita o mal pela metade, ainda assim é mal. A partir desse parâmetro, não posso aceitar que ele seja menos pior que os terríveis pastores homofóbicos da África, irredutíveis em suas defesas de uma sociedade ilibada, distinta da mácula de homossexuais, que permitem o estupro de meninas, de crianças lésbicas, para mostrar a elas como é que se brinca com... homens??? Homens que usam a religião - palavra que traduz a ligação com Deus - para determinar quem é um filho divino e quem não é digno de uma vida sem terror.
Este vídeo mostra um trecho do documentário, no Brasil, com entrevista com Angélica Ivo, mãe do Alexandre Ivo, menino de 14 anos torturado por duas horas infinitas e morto no Rio em 2010, por aparentar ser gay. APARENTAR!!! Uma criança brasileira, que poderia ser meu filho. Como mãe, mulher e humana, choro pela dor dessa e de tantas mães como Angélica.
Nós somos monstros em condição educativa: é preciso educar nosso interior para as boas atitudes, refletir muito sobre as próprias ações antes de agir, equilibrar os pensamentos em direção a uma conduta de amor concreto e respeito pela história que cada um carrega. NÃO HÁ outro caminho. Não há!
Vale a pena ver o documentário todo.

Paz pra que a gente se proponha a pensar com o cérebro e coloque em funcionamento o coração.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Um grande abraço de ano novo!


Imagem: Google

Um ano termina, outro começa e a vida assim vai dando os nortes que a gente precisa para evoluir. Há quem alimente uma certa melancolia de fim de ano em relação às coisas que vão ficar no passado, mas o melhor de tudo são as novas expectativas, os planos para o futuro. E é bem por isso, creio, que há um começo e um fim para tudo. Deus é um cara muito gênio. 
É interessante como, a cada ano, somamos aprendizados. Hoje, aos quase 42, compreendo perfeitamente o significado da frase "queria ter 20 com a sabedoria dos 40". Ter 20 é infinitamente legal, mas os 40 têm um quê de poder que gosto de provar. 
As experiências se renovam constantemente e na vida a gente sempre aprende (ou deveria), mas sentimentos consolidados não têm que falar alto. A afinidade dos olhares determina quão valiosa e infinita é uma determinada ligação e acredito que há nisso um poder de universo, uma mágica divina que evoca dois seres para a missão de se encontrarem simplesmente para se fazerem felizes, seja qual for o tipo de relação.
Que grande sorte e proteção de Deus a minha encontrar tantas pessoas que alimentam minha alma com seus sorrisos, com o aconchego da troca de segredos, conselhos e desabafos, amizades abençoadas que provam não haver época ideal na vida para se encontrar grandes amores.

Percebo hoje que Deus não apenas nos abre novas portas, mas nos dá a oportunidade de escolhermos novos caminhos a cada pensamento, desenhando a estrada pelo primeiro passo. 
Há uma coisa que digo: para cada caminhante, um caminhar. Que nossas trilhas sejam abençoadas, com a força de muito amor neste novo ano. O bom de tudo é poder fechar os olhos e sentir a alegria de ser abraçado por nossas escolhas. O resto das coisas, nem precisam ser ditas.

Seja feliz em mais este ano!
Beijos...

Danica

sábado, 25 de outubro de 2014

Um lar de boas histórias e lembranças





Eu sou feliz. Mas sou intensa. Por isso, não sei sentir pouco, tudo o que faço é  com pensamento grande. Meu irmão, que bem me conhece, me vendo triste um dia por causa dessa minha intensidade, comentou uma frase que nunca mais esqueci: "Numa alma grande, tudo é grande."
Achei simpático. Um elogio e tanto. E como eu sabia que era verdadeiro, fiquei feliz na hora. 
Sou simples, me agradar exige muito pouco.
Acho que aprendi isso com o meu avô. Ele tinha um passarinho preto e todos os dias, quando eu ia a casa dele, eu passava a mão na crista do passarinho e ele adormecia de cair do poleiro. 
Meu avô, que foi a melhor alma que Deus me deu a oportunidade de conhecer na vida, o tirava da gaiola e dizia que não gostava dele lá, mas que já estava há tanto tempo que essa tinha virado a natureza dele. Ele o colocava na minha mão de menina, pequenininha, e a gente ficava conversando um tempão, sentados no chão do enorme quintal  daquela casa.
Enquanto eu o acariciasse, o passarinho continuaria dormindo. Ele trocava a chance da liberdade pelo carinho. Como muita gente faz. Acho que não enxergava o horizonte além da proximidade da gaiola. 
Mas realmente o ambiente ali era muito bom. A casa dos meus avós não tinha piso, era chão de tijolos socados e terra, embora fosse casa de material. No frio, era muito fria. Mas era um ambiente rústico convidativo. Ninguém se importava de sujar os pés de terra, porque o privilégio era ter abrigo. 
Para evitar a poeira, minha vó jogava água. Ficava um cheirinho de tijolo e terra que demorava a secar. E esse cheirinho, às 5 da manhã, se juntava à fumaça do café de coador de pano, quentinho, doce e ao sabor de moda de viola. O sol já ia entrando pelos fundos da casa, iluminando a cozinha e dando bom dia.
O colo do meu avô era o primeiro que eu procurava pra tomar café, limpar as gaiolas, trocar a água dos passarinhos, daquele canário-da-terra que era o xodó.
Eu brincava na oficina de consertos eletrônicos do meu tio e adorava quando ele fundia os fios, coisa que deve ter um nome, mas não me lembro. Achava lindas as faíscas, eram como estrelas que a gente podia ver bem de perto, embora não fosse recomendável.
Senti saudades quando ele foi pro Exército, mas adorava suas voltas porque sempre me trazia uma boneca porcaria, dessas de plástico, sem qualquer articulação. A preferida tinha cabelos compridos e negros feito uma índia, com roupas azuis.
Em frente à casa havia um banco feito com um tronco de uma árvore cortada há muitos anos. Como era arredondado e grosso, balançava. Ali virava ponto de encontro para as conversas com os vizinhos nas noites quentes. Enquanto isso, a criançada aprendia a andar de bicicleta até a outra esquina. 
A casa do meu avô ficava numa esquina da Osório de Souza com a Fernando Febeliano da Costa, ali na Vila Independência. Era uma das primeiras casas do bairro. Segundo minha mãe, ela era menina e tinha aquela e mais umas cinco, eram ruas de terra. Um único vizinho - guardada a proporção da distância da vizinhança, de quilômetros -, um japonês, era o feliz proprietário de um telefone. Luxo à época. Emergências e urgências, nesses casos, era para a casa dele que viajavam os vizinhos para poder usar o aparelho. 
Anos depois, já na década de 70, meu avô também tinha um aparelho. E me lembro, dotada de minha criatividade infantil, de pensar: "será que um dia os telefones não serão de discar e nem tão pesados assim?" Errar um número era triste, porque exigia nova discagem, machucar meus dedinhos naquele disco pesadão. E olha que hoje podemos até conversar com o aparelho que ele disca sozinho!!! Da hora a vida!!
Mas naquele tempo, nem se podia imaginar uma coisa dessas. Naquelas noites quentes em que a gente se juntava em frente à casa, lá por volta das oito da noite, chegava o seu Milton, um senhor bonitão, simpático e sempre aprumado, às vezes só, às vezes com a esposa. Guardava o Gordini - que depois virou Fusca - na garagem ao lado, fechada com um frágil portão de madeira. 
Eu brincava com a meia dúzia de irmãos pretinhos que moravam na vilinha mais adiante e com o neto da dona Alcinda. Aprendi a andar de bicicleta ali, naquela rua. Me sentia a mulher-maravilha e às vezes minha avó me improvisava uma capa. Lá, naquele cenário, eu tirei fotos em cima de cavalinhos, vi passar o palhaço na perna-de-pau divulgando a chegada do circo, fui à feira comer doce de leite de colher com minha avó, vi meu vô colocar piso cerâmico na casa toda, meus tios casarem, a casa ficar grande, as coisas mudarem e chorei quando ela foi vendida e demos adeus à oportunidade de novas histórias naquele lugar tão especial.
Às vezes passo por ali, mas o lugar já não é mais o mesmo. Não foram as reformas, mas é que qualquer casa só se torna lar pela presença do amor entre os que vivem nela. Meu avô já se despediu de nós, vovó partiu esta semana, meus tios tomaram outro rumo, a vizinhança mudou.
Hoje tenho meu próprio lar e nele escrevemos, eu e minha Maria, nossas boas histórias. É nosso abrigo, nosso templo, nosso cantinho, nosso ninho. É nosso, porque nele estamos. Tento, dentro das possibilidades que a vida moderna nos oferece e do espaço que temos nesse nosso lugar de viver, que seja um abrigo de boas lembranças que no futuro nos impregnem dessa sensação de paz que sinto agora ao rememorar essa fase da minha infância. Dá vontade e fecho os olhos para ir caminhando por entre aqueles sorrisos.
Parafraseando o Roberto, das lembranças que eu trago na vida, essa é uma das saudades que eu gosto de ter. Assim, sinto todos bem perto de mim outra vez. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Sem anos de solidão

Recebi a notícia da despedida de Gabriel García-Márquez pelo lamento de meu amigo e colega de trabalho Rubinho Vitti e a informação ecoou pela bancada de jornalistas num profundo "ahhhhhhhhhhhh...", seguido de um silêncio taciturno. Como não lamentar a perda dessa grande mente inteligente e criativa em tempos de pobreza espiritual e intelectual, colérica? A leitura de Gabo nos remete ao encontro de personagens tão ricamente criados, que embora Cem Anos de Solidão seja uma das maiores obras-primas da literatura, impossível sentir-se sozinho ao acompanhar seus enredos. Eu não poderia escrever melhor sobre um dos maiores escritores da atualidade - e de todos os tempos -, como fez meu querido Felipe Rodrigues, jovem intelectual, pessoa divertida - qualidade dos inteligentes e criativos - que me dá a honra de chamá-lo de amigo e de quem sou uma torcida constante. Por isso, compartilho seu artigo, impresso de sua personalidade.
 
Trinta e um anos de solidão
Felipe Rodrigues
  
A primeira vez que eu li a frase “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”, que dá início ao livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García-Marquez, fiquei em estado de choque. Um único parágrafo foi suficiente para eu perceber que estava diante de uma obra-prima. As páginas se passaram e eu fiquei fascinado pela possibilidade de viajar por um universo mágico de coronéis, ciganos, borboletas, assassinatos, peixinhos de ouro e homens amarrados em árvore. Sem falar de Úrsula, ah, Úrsula...
Terminei o livro em dois dias, espantado com a qualidade daquela história. As páginas pareciam voar em minhas mãos, tamanha a velocidade com que eu as lia. Acabei a leitura um tanto quanto chateado. Aquela experiência tão gostosa se encerrara. Impossível explicar o que mais me agradava. A narrativa despertava certa nostalgia das histórias antigas de assombrações contadas pela minha mãe, quando eu e meu amigo de infância Thiago, além do meu irmão Del, ficávamos com um misto de medo e encanto.
Ouvíamos no quarto escuro de casa alguns causos de homens que sumiam sem explicação, mulheres que carregavam bebês maiores que ela, porteiras que se mexiam sozinhas, mães que morriam porque o chinelo estava de ponta cabeça, maldições de quem quebrava espelhos, entre outras invencionices que minha mãe repetia e fazia eu arrepiar-me todo. Causos esses que foram, de certa forma, reinventados por Gabo, nas mais diferentes passagens do seu livro sobre Macondo.
Macondo, por sinal, que servia como um microcosmo das tantas cidades do interior pela qual nós passamos, com suas praças, seus figurões, padres, delegados, além das plantações de banana, cana, café ou soja. Aquela cidade, seus habitantes, os Buendía, Arcádio, Melquíades, Remédios, Amaranta, entre outros, tornaram-se espécie de amigos, aos quais eu poderia redescobrir toda vez que eu lesse a história.
Fato é que nunca mais consegui ler um livro sem compará-lo a Cem Anos de Solidão. E desde então, a única obra que pareceu-me superior foi Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Eu sei que Dostoievski é mais importante (assim como vários russos), Shakespeare é Shakespeare, Joyce é infinitamente mais complexo, Proust tem uma obra mais pesada e Vargas Llosa talvez escreva melhor, mas a literatura de Gabriel García-Marquez fala de um jeito especial em mim.
No momento em que tento, de forma torta, seguir seus passos, ele morre. Poderia eu aqui dizer que talvez ele esteja com vergonha agora, ao ver que sua obra inspirou pessoas sem capacidade para o ofício, como eu. Mas não sei. Escrever é o que me resta, já disse brincando, mas é verdade. Cada vez mais isolado, meus amigos mais próximos acabam sendo os livros, eu sei que a culpa disso é exclusivamente minha. Já são trinta e um anos de solidão, e a partir de agora, serão outros tantos, sem a inspiração de Gabo por aqui.

É isso. Bom, né?

quarta-feira, 19 de março de 2014

Fica mais fácil quando se ama naturalmente


Corações diferentes, amor [ao] semelhante

O amor pede passagem todos os dias. Ele está acima do sentimento de posse, de grupo, de família, de sociedade. É uma expressão universal e, se formos capazes de praticar nosso sentimento maior em relação a todas as pessoas, estamos no caminho de aprender a amar. [Experimente simplesmente amar.]

Não temos que criar expectativas irreais sobre os relacionamentos. Crescemos com uma crença de que precisamos de alguém para sermos plenos na sensação do amor, mas a conexão com a natureza, o céu, a brisa, a chuva, já são sentimentos de amor. [Conecte-se com a natureza e sinta oque ela tem a te dar.]

Não tem como aprender a amar o outro sem autoconhecimento e autoestima positiva. Quando passamos a nos valorizar, a entender do que somos capazes e o valor que temos, podemos desenvolver a empatia e o amor. [Experimente olhar para dentro.]

Os relacionamentos inicialmente se baseiam em sensações, mas sobrevivem aos sentimentos de tolerância, paciência, carinho e amor. Quando as pessoas sentem-se carentes, projetam no outro as compensações, o que desejam, o compromisso de cobrir o que falta. Quando isso não acontece, nos desiludimos por colocarmos o outro no  patamar em que ele não está. Quando preenchemos nossas necessidades, o contato com o outro será de troca e não de preenchimento. [Tente apenas amar naturalmente.]

Fora da caridade não há salvação, é um exercício que o Espiritismo nos propõe. Quando nos doamos realmente, isso provoca um bem tão maior em nós que se transforma em amor. Egoistamente queremos as coisas, as pessoas, não pensamos em simplesmente nos dedicar. [Experimente apenas dedicar-se.]

Como saber o que é amor? Sabendo que coisas difíceis podem acontecer e, em meio a isso, quem você gostaria que estivesse ao seu lado? E quem realmente está? Compreender as pessoas em suas imperfeições, considerando que também somos imperfeitos, é o caminho do amor. Podemos encontrar uma relação amorosa quando tivermos olhos de ver. Quando Deus ordena: ame a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti, Ele ensina que precisamos nos amar primeiro. [Siga esses mandamentos de Deus.]

Se tivermos a compreensão de que a vida é mortal, fica mais fácil assimilar o ato de amar. A doação de Jesus é prova de que o amor é o que nos faz viver melhor, atenua as dores. Em toda nossa vida, se tivermos amor, se alimentarmos em nós o amor espiritual, superaremos falhas, dificuldades e poderemos compreender nosso semelhante, superar perdas, ultrapassar dificuldades. [Cultive o amor espiritual.]

Só com amor entreveremos Deus, nossa alma e poderemos entender que só pelo amor encontraremos o Criador, mas, antes Dele, temos que encontrar o outro e, antes do outro, o encontro é conosco. [Busque!]

É isso.
Beijão.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

"Pour agir et réagir" - prescrição médica

"Quando uma porta se fecha, outra se abre.
Portas fechadas trazem mudanças...
e às vezes é exatamente disso que você precisa!"

Li a frase num lugar qualquer da internet.
Eu sou adepta a mudanças. Se a questão é prática, acho fácil. Mudar exige coragem para o novo, confiança, otimismo, positividade.
Difícil é promover a mudança emocional. O que a gente sente, é carregado de expectativas. Exige mais que coragem, mais que otimismo: é muito esforço, perseverança, amor próprio e, principalmente, desapego. 

Mas nunca se esqueça: "Isso logo passa!" Foi o melhor conselho que já ouvi. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Amar a Deus, a nós e ao próximo sobre todas as coisas



Outro dia, numa conversa com um querido amigo, falávamos sobre a necessidade de mudança de comportamento das pessoas de maneira geral, pois às vezes temos a sensação de que o mundo está no avesso. Meu amigo é católico e eu respeito e admiro o jeito bonito como ele se dedica a sua crença. Para ele, uma das soluções seria o retorno de Cristo em meio aos homens, para que as lições de amor fossem revistas - lembrando que dois dos principais mandamentos são fundamentais: "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". No mínimo, pensamos que algo extraordinário, como o fato das pessoas refletirem melhor sobre suas atitudes, aconteceria. Será?
Penso que não se trata de acreditar ou desejar essa visita divina, mas de nós irmos a Ele, de amarmos o Deus vivo e livre dentro de nós. Cada um encontra sua maneira de fazer isso, mas muitos deturpam os reais valores da vida.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Algumas manias e algo mais



Às vezes sinto uma imensa raiva das pessoas. Todas, de modo geral. Já refleti se isso seria uma mania de perseguição minha, mas não. É que a gente vê tanta hipocrisia, observa, se torna vítima e também hipócrita algumas vezes. Aí tenho raiva até de mim!
Isso tudo é por causa da minha mania de liberdade. Insisto em ser uma pessoa livre, que abusa do direito de expor suas ideias, falar honestamente, com o coração, pedir que as pessoas amem mais, que se fodam também quando encherem meu saco. Mania de inconformismo!
Por outro lado, tenho uma santa mania de querer sempre exercer a minha paciência, como se eu fosse um doce de pessoa. É mania de me testar. Mania de achar que eu tenho o controle das situações.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um lugar para chamar de qualquer coisa



Queria ir agora para um lugar chamado Nothing Hill, caminhar por uma avenida chamada Nothing Hill, comprar flores na floricultura Nothing Hill, entrar na livraria Nothing Hill e.... ler meu livro, tomar meu café e sentir o perfume das minhas flores, bem quietinha, bem Daniele, sem que ninguém sente-se à mesa. 
Boas companhias não falam à toa. Palavras são preciosas demais para serem lançadas ao vento, como se não tivessem som, sabor, sentido. 

- "Qual seu desejo, senhorita?"
- "Um suco de maracujá. Para dois, por favor: eu e meu coração."



domingo, 2 de junho de 2013

Renove sua fé pra mais esse restinho de ano


 
As pessoas estão cada vez mais em busca de alimentar a fé, seja pela religiosidade tradicional ou pela alternativa. Mesmo assim, mostram-se fracas quando surge uma situação diferente, com a qual têm dificuldade em lidar.
 
Como podem achar que têm problemas se há a busca constante por alimentar sua fé? Fé não é acreditar, fé é não ter dúvidas de que algo divino pode acontecer pra gente, de que somos seres divinos e precisamos exercitar nossa paciência para aprender a esperar a mudança, a novidade.
 
Outro dia li que quando a gente pensar em dizer a Deus que temos um grande problema, é melhor mostrar ao problema que temos um grande Deus. Isso se mostra com a paciência e a fé.
 
E problema mesmo, a gente não tem nenhum. Se você acorda com saúde, caminha, trabalha, tem amigos, comida, roupa, casa, você ri, conversa, se distrai, tem braços, pernas, fala, ouve... imagina só tudo o que uma pessoa tão perfeita como você é capaz!!!!!
 
Nada é mais poderoso do que a força de cada um. Somos um templo sagrado, por isso devemos nos respeitar, amar e nos doar, porque estamos aqui para sermos semente do bem que germina na vida do outro.
Um grande beijo e bom início da metade do ano!!!
 
Dani

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Xeque-mate


Quando alguém vai embora, aos poucos a gente se depara com a situação de duas mortes. 

Aquela propriamente dita e a outra, em prestações.

Vc deixa de receber um telefonema, de levar aquela bronca, de dividir aquele desabafo, de ouvir aquelas ideias sobre suas teorias.

A diferença agora é fazer algo pra viver sem elas, mesmo quando doer.

A segunda morte dói bem mais.

E o problema, daí, é só seu.



Cinco maiores arrependimentos antes de morrer - aprenda para não se arrepender